terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Reforma do Ensino Médio inviabiliza política de Educação do Campo

A Reforma do Ensino Médio sancionada pela Presidência da República na última quinta-feira (16/02) e publicada no Diário Oficial da União, como Lei 13.415 de 16 de fevereiro de 2017, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, traz alternações significativas na organização política e pedagógica para as escolas pública brasileira.
Dentre as mudanças mais preocupantes estão a redução das disciplinas obrigatórios, principalmente aquelas associadas à formação crítica dos educandos, a exemplo de filosofia, sociologia, história, geografia, entre outras. Somente as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática serão obrigatórias nos 3 anos do Ensino Médio.
De acordo com a Profa. Dra. Monica Ribeiro da Silva, da Universidade Federal do Paraná, o currículo fica dividido em duas partes: uma parte comum de 1.800 horas a todos/as estudantes e outra, dividida em cinco itinerários, em que o/a estudante terá que fazer aquilo que a escola/sistema ofertar (e não o que ele escolher, como diz a propaganda enganosa do governo).
Na visão de Mônica Silva, outro aspecto preocupante é que o itinerário “formação técnica e profissional” poderá ser ofertado por meio de parceria com o setor privado e o sistema de ensino se servirá de recurso público do FUNDEB.
A pesquisadora alerta que a nova proposta de Ensino Médio coloca a juventude brasileira da escola pública num profundo abismo, porque retira a possibilidade de uma vida digna para esses jovens, conseguida por meio de uma formação escolar densa e crítica, de uma preparação séria para o mundo do trabalho ou para o prosseguimento dos estudos, denuncia a doutora Mônica Silva.
Os educadores da Rede de Educação no Semiárido brasileiro (RESAB) denunciam que a proposta curricular do novo ensino médio exclui ainda mais a realidade dos jovens do campo da escola, pois reforça um modelo de organização curricular centrado num conjunto de conhecimentos escolares, com forte víeis tecnicistas, que pouco dialoga com a realidade e as necessidades formativas e culturais da população camponesa.
Para o Fórum Nacional por uma Educação do Campo, a Reforma do Ensino Médio representa um retrocesso para a classe trabalhadora, pois fere o direito fundamental de acesso a uma formação humana integral, que possibilite a compreensão específica do complexo mundo do trabalho e suas contradições.
“Nossa concepção de formação por área pressupõe um Núcleo Básico de estudos que envolve conhecimentos de Ciências Humanas e Sociais, ciências da natureza e as diversas linguagens humanas, incluindo as Artes nas suas diversas manifestações, como condição para a formação humana básica e integral”, afirma nota do Fonec ao denunciar impactos da Reforma.
É consenso entre os especialistas e profissionais da educação que esta Reforma do Ensino Médio pode trazer enormes prejuízos à formação da juventude brasileira, pois seu foco é aprofundar a formação para o mercado de trabalho, negligenciando a formação humana e cidadã. 
Além disso, essa Reforma pode aprofundar ainda mais as desigualdades sociais e educacionais, visto que haverá um empobrecimento no currículo e ensino oferecido nas escolas públicas, enquanto que os jovens das escolas particulares continuarão tendo acesso ao modelo de ensino voltado à sólida formação teórica que garanta o ingresso destes jovens no ensino superior. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Estudantes de Educação do Campo da UFPI promovem audiência pública com a Senadora Regina Sousa

Os estudantes do Curso de Licenciatura em Educação do campo promoveram, na última segunda-feira (06/02), uma audiência pública com a participação da senadora Regina Sousa (PT Piauí) com o objetivo de discutir a situação dos Cursos de Licenciatura em Educação do Campo na Universidade Federal do Piauí (UFPI).
A UFPI conta com 04 Cursos de Licenciatura em Educação do Campo distribuídos nos Campi de Teresina, Floriano, Picos e Bom Jesus, envolvendo mais de 800 estudantes que reivindicam a manutenção de direitos sociais já adquiridos, como transportes, alimentação e hospedagem.
De acordo com o Centro Acadêmico da Educação do Campo, os cursos são organizados em sistema de alternância. Os estudantes ficam 45 dias, no período de férias, em processo de formação na universidade, denominado de Tempo-Universidade, no qual são ministradas as aulas teórico-práticas. Em seguida, passam cerca de 90 dias nas atividades de campo e de pesquisa nas comunidades rurais, sob a supervisão dos professores da UFPI, no tempo-comunidade.
Para os representantes do Centro Acadêmico, além dos problemas relacionados com a alimentação e hospedagem dos estudantes, tem também as dificuldades com relação as  sala de aulas adequadas para as atividades do curso, já que eles são oriundos de várias comunidades rurais e passam 45 dias na universidade numa jornada de 8 horas/aulas diárias.
Segundo Sávio Santos, vice-presidente do Centro Acadêmico, o objetivo da luta dos estudantes é dar continuidade ao curso pois a atual política econômica reduziu o orçamento para os programas de educação do campo, o que vai dificultar o acesso da população campesina ao acesso à educação básica e superior.
Para a senadora Regina Sousa, a situação que o país passa é delicada, pois o atual governo está realizando um verdadeiro desmonte dos projetos sociais construídos nos últimos 15 anos, principalmente aqueles voltados para as classes populares. Segundo a senadora, é preciso um esforço coletivo para garantir que as políticas conquistadas para os povos do campo não sejam de fato destruídas.
Diante desse cenário, a senadora Regina Sousa se comprometeu em levar esse debate sobre o fortalecimento das Licenciaturas em Educação do Campo para a comissão de Direitos Humanos e de Educação do Senado Federal para construir um diálogos com outros senadores com o propósito de sensibilizar o Ministério da Educação quanto a importância destes Cursos para o fortalecimento da educação do campo no Brasil.
A Licenciatura em Educação do Campo foi implantada no Piauí em 2014 e é fruto da luta dos movimentos sociais do campo para inclusão de jovens agricultores ao ensino superior em universidades públicas.
Durante a audiência pública, os representantes dos movimentos sociais, a exemplo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura e do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra também manifestaram sua preocupação com o fortalecimento das Licenciaturas em Educação do Campo como forma de garantir o acesso dos jovens camponeses ao ensino superior.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Projeto Viva o Semiárido seleciona formadores em educação contextualizada no Piauí


O Projeto Viva o Semiárido, desenvolvido pelo Governo do Estado do Piauí em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola – FIDA, lançou edital de seleção para a contratação de formadores(as) especializados(as) em Educação do Campo e Contextualizada para realizar a formação de professores e gestores das escolas em 40 municípios do semiárido piauiense.
Serão contratados 05 formadores(as) em educação contextualizada que darão suporte teórico ao planejamento e realizarão a formação de professores e gestores das escolas estaduais e municipais, Centros Educacionais de Educação Profissional Rural – CEEPRU’s e Escolas Famílias Agrícolas – EFA’s, prestando-lhes assistência nas atividades a serem desenvolvidas nas escolas no decorrer do projeto.
Os candidatos precisam ser graduados em pedagogia ou licenciatura, possuir pós-graduação em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido ou Educação do Campo (latu ou stricto sensu) e ter experiência mínima de cinco anos comprovada em Educação Contextualizada para Convivência com o Semiárido ou Educação do Campo, com ênfase em formação e/ou gestão.

Área de atuação do projeto

O processo de contratação está sob a responsabilidade do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). O contrato terá vigência de 18 meses e os formadores irão atuar nos territórios do Vale do Sambito, Vale do Rio Guaribas, Vale do Rio Canindé e Serra da Capivara. As inscrições poderão ser efetivadas até o dia 16/12/2016 no site do IICA: http://www.iicabr.iica.org.br/pessoa-fisica
 O Projeto Viva o Semiárido integra a estratégia do desenvolvimento territorial sustentável e participativo do Governo do Piauí, da qual fazem parte as políticas públicas de redução da pobreza e do desenvolvimento rural. Essa estratégia de desenvolvimento territorial articula o poder público governamental e a sociedade civil na definição de investimentos prioritários em cada território, os quais são consolidados nos Planos Locais e Regionais de Desenvolvimento.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Projeto Cisterna nas Escolas promove intercâmbio sobre educação contextualizada no Semiárido

O Projeto Cisternas nas Escolas, coordenado pela Obra Kolping do Piauí, promoveu um intercâmbio de experiência na área da educação contextualizada no semiárido na Escola Municipal Liberato Vieira, localizada na comunidade Brejo da Fortaleza, no município de Ipiranga do Piauí.
O intercâmbio contou com a participação de 38 professores dos municípios de Pio IX e Monsenhor Hipólito e teve como objetivo possibilitar a troca de experiências entre os professores visitantes com os alunos, pais e educadores envolvidos nas atividades educativas desenvolvidos na Escola Municipal Liberato Vieira, dentro da proposta de educação para a convivência com o semiárido.
Durante o intercâmbio, os professores visitantes tiveram a oportunidade de conhecer os espaços pedagógicos (horta pedagógica, viveiro de mudas, banco de sementes, dentre outros) construídos pela equipe pedagógica da Escola Liberato Vieira com o propósito de fomentar o processo de contextualização e articulação teoria prática na produção do conhecimento escolar.
Além disso, os estudantes da Escola compartilharam as experiências vivenciadas durante os projetos educativos, destacando aquelas relacionadas à inserção crítica na realidade da comunidade, aos trabalhos de pesquisas desenvolvidos na horta pedagógica, no viveiro de mudas, bem como, junto às famílias. Além disso, apresentaram algumas atividades artísticas e culturais desenvolvidas na escola a partir do trabalho de resgate e valorização da cultura popular do sertão.
Para a monitora pedagógica do Projeto Cisterna nas escolas, Priscilla Carvalho, o intercâmbio foi importante por que possibilitou que os professores pudessem se apropriar melhor dos princípios que fundamentam a educação contextualizada a partir da experiência concreta vivenciada por professores, alunos e comunidade na comunidade do Brejo da Fortaleza.
Priscilla Caralho acrescentou ainda que esta atividade deixou os professores animados por que tiveram a oportunidade de visualizar, no diálogo com a equipe pedagógica da Escola Liberato Vieira, as possibilidades de repensar suas práticas educativas a partir de pequenas iniciativas que podem ser desenvolvidas na escola.
De acordo com Reginalda Alves, diretora da Escola Municipal Liberato Vieira, o intercâmbio foi muito rico por que favoreceu a troca de experiência entre professores de diferentes municípios. Se por um lado, os alunos e professores da escola tiveram a oportunidade de partilhar suas experiências e saberes, por outro, tiveram as contribuições e o reconhecimento do trabalho por parte do público visitante. Isto incentiva e motiva ainda mais a comunidade escolar em continuar apostando na proposta da educação contextualizada no semiárido, afirmou Reginalda.
Este intercâmbio de experiência é parte da estratégia de formação do Projeto Cisternas nas Escolas, desenvolvido pela Articulação no Semiárido Brasileiro – Asa Brasil, coordenado pela Obra Kolping do Piauí e a Cáritas Regional do Piauí. Tem como público prioritário os educadores/as que fazem parte do projeto Cisternas nas Escolas, gestores públicos, estudantes, representantes de movimentos sociais.
O Projeto Cisternas nas Escolas prevê a construção de cisternas escolares de 52 mil para o abastecimento da escola, bem como, a formação dos profissionais da escola com relação ao gerenciamento dos recursos hídricos, a convivência com o semiárido e a introdução à educação para a convivência com o semiárido.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Educadores concluem Curso de Formação de Formadores em Educação Contextualizada no Piauí

Um grupo formado por 27 professores da rede pública e educadores vinculados às organizações sociais concluiu, nos dias 21 e 22 de outubro de 2016, o Curso de Formação de Formadores em Educação Contextualizada no Semiárido, promovido pela Rede de Educação do Semiárido (RESAB) e a Universidade Federal do Piauí.
O Curso de Formação foi realizado no período de agosto/2015 a outubro/2016 e teve como objetivo aprofundar os estudos sobre as bases teórico-metodológicas, filosóficas e político-pedagógicas que norteiam as concepções e práticas de educação do campo e educação contextualizada no semiárido.
A proposta de formação foi organizada em quatro módulos temáticos voltados à discussão, por um lado, dos aspectos sócio-históricos, políticos, econômicos e culturais do semiárido e, por outro, dos aspectos teórico-metodológicos e políticos pedagógicos que norteiam os projetos de educação para a convivência. Os módulos serão desenvolvidos a partir das seguintes temáticas:
Módulo I: Semiárido Brasileiro: aspectos sócio-históricos, geoambientais, políticos e culturais;
Módulo II: Educação Contextualizada no Semiárido: bases teóricas e concepções político-pedagógicas.
Módulo III: Práticas educativas no contexto do Semiárido: referenciais teórico-metodológicos
Módulo IV: Currículo, cultura e conhecimento: estratégias de integração e contextualização dos projetos educativos.
A metodologia de trabalho baseou-se na pedagogia freireana e na educação popular, tendo como eixo central a problematização das condições socioeconômicas, políticas e culturais do semiárido, bem como, dos pressupostos teórico-metodológicos que dão sustentação às práticas educativas desenvolvidas nas escolas do semiárido.
De acordo com Maria de Cantalice, da coordenação da RESAB, o curso foi importante por que possibilitou importantes momentos para as trocas de experiências entre os educadores, bem como, o aprofundamento das discussões acerca das bases teóricas, políticas e pedagógicas que dão sustentação a proposta de educação para a convivência com o semiárido.
No encerramento do curso, os educadores assumiram o compromisso de continuar se reunindo com o propósito de produzir uma publicação com a sistematização das experiências de educação para a convivência com o semiárido desenvolvidas no Piauí. Além disso, darão continuidade aos Cadernos Pedagógicos de Formação de Educadores no Semiárido que irão subsidiar o trabalho do Grupo de Formadores da RESAB, bem como, as organizações e os municípios que tenham interesse em desenvolver projetos na área da formação de educadores no semiárido.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Pesquisadores lançam livro sobre educação do campo no Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste

Pesquisadores do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal do Piauí (UFPI) lançaram o livro “Educação do campo: reflexões políticas e teórico-metodológicas”, durante o XXII Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste, realizado no período de 20 a 23 de setembro de 2016 em Teresina - PI.

A coletânea organizada pelo prof. Dr. Elmo de Souza Lima (UFPI) e a Profa. Ms. Keylla Rejane Almeida Melo (UFPI) reúne 10 artigos de pesquisadores da UFPI e de outras universidades do Nordeste que têm a Educação do Campo como objeto de estudo e como bandeira de luta.

Para Elmo Lima, o propósito deste trabalho é fomentar a discussão entre educadores, pesquisadores e demais sujeitos sociais acerca das políticas e práticas educativas desenvolvidas nas escolas do campo, confrontando-as com as proposições teórico-práticas construídas em diálogo com os movimentos sociais, visando à implementação de projetos educativos que, partindo dos anseios dos camponeses, se coloco enquanto um projeto coletivo de emancipação política e cultural.

Os textos reunidos pretendem subsidiar reflexões docentes que se encaminhem para mudanças de concepções sobre conhecimento e educação escolar, resultando, assim, na transformação das práticas educativas que se desenvolvem no contexto das escolas do campo.

Os trabalhos que compõem a obra buscam estabelecer um diálogo entre as bases teóricas e político-pedagógicas da educação do campo e as experiências desenvolvidas pelos/as educadores/as e movimentos sociais, de modo a assegurar à materialização dos princípios que dão sustentação a proposta de educação do campo.

sábado, 17 de setembro de 2016

Encontro Nacional discute estratégias de fortalecimento da educação contextualizada no semiárido

 À luz da teoria de Paulo Freire, dezenas de educadoras e educadores populares de todo o Semiárido participaram, nos dias 13, 14 e 15 de setembro de 2016, em Teresina – PI, do Encontro Nacional de Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido, realizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), com a participação de 90 pessoas vindas dos 11 estados que compõem a região semiárida.
E “esperançar” foi o verbo que deu o tom inicial do Encontro Nacional de Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido, realizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). “Precisamos esperançar no sentido que Paulo Freire dizia: esperançar é juntar-se com outros e outras para fazer de outro modo. E estamos aqui hoje tentando manter o verbo esperançar para continuar a luta e é este o objetivo da ASA de construir uma educação como processo de vida e com uma perspectiva de inserir na sociedade pessoas novas para que possamos combater as tantas desesperanças”, enfatizou o Coordenador executivo da ASA pelo estado do Piauí, Carlos Humberto.
A mesa de abertura contou também com a apresentação da experiência em educação da Escola Municipal Liberato Vieira, localizada na comunidade Brejo da Fortaleza, município de Ipiranga do Piauí, que a partir de ações simples como hortas escolares conseguiu envolver estudantes, professores e comunidade. A estudante e amiga da escola Verônica Fontes de Souza que vivenciou a mudança na localidade destacou o conselho que sempre ouviu de uma de suas professoras. “É como ela diz: Não vamos ligar somente para o que a professora diz na escola, vamos nos importar com a nossa comunidade porque é dela que vocês vão avançar o aprendizado de vocês, porque se não conhecermos a realidade de nossa comunidade jamais poderemos ser sabedores de nossa ciência”.
A Rede de Educação do Semiárido (Resab) também protagonizou esse primeiro momento. Vera Maria Oliveira Carneiro que faz parte da Rede enfatizou que é preciso que a educação contextualizada seja mais que um discurso. “Nós trabalhamos com uma proposta de educação contextualizada que além de perpassar pelos conteúdos para transformação dos sujeitos a partir da proposta de convivência com o Semiárido, precisa se transformar em uma politica pública de comunicação. A educação contextualizada vai desde o ensino fundamental até à universidade para que a escola não seja só uma repassadora de conteúdo, mas da construção de uma nova sociedade e de um novo Semiárido”, disse.
Neste contexto, o pesquisador e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais,Miguel Arroyo, convidado para falar sobre “o papel da educação popular na transformação social”, salientou o quanto é necessário transformar a realidade por meio da educação e provocou os presentes a pensar além. “Educação do Semiárido é outro projeto de Semiárido, é outro projeto de campo, é outro projeto de sociedade. Só lutar por um outro projeto de Semiárido sem pensar um outro projeto de sociedade é pensar pequeno, pois se queremos alargar a nossa concepção de educação contextualizada não pode ser para que fique fechada neste contexto, ao contrário, colocar este contexto em outro projeto de campo que sirva para a dignidade do bem viver”.
A fala do estudioso baseou-se em três principais palavras: vida, cultura e Semiárido. Para ele, a escola hoje não fala de vida, mas apenas de ensinar e aprender e por isso estamos ameaçando o direito à vida. Além disso, Arroyo explica que “a escola está muito centrada no conhecimento e menos na cultura, e o direito à cultura é muito mais radical do que o direito ao conhecimento. 80% dos conteúdos dos currículos são de saberes inúteis. E um saber que não ajuda a entender-me para que me serve?”.
Para Arroyo, o Brasil vive um momento delicado e este é um momento de reflexão para nós e importante do ponto de vista político, social e econômico. “Nós vivemos um momento de desafios, mas também de grandes oportunidades. Nós estamos firmes no nosso objetivo de construir um país melhor”. O importante é não desistir dos nossos sonhos, e falar de sonho e caminhada é falar de educação, de luta pela construção uma sociedade justa e democrática.
Na tarde do dia 13/09, os participantes do evento compartilharam as inúmeras experiências desenvolvidas nos seus estados e municípios na perspectiva da educação para a convivência com o semiárido. São experiências que estão mobilizando centenas de educadores, educandos e agricultores no sentido de construir práticas educativas que possibilitem a produção de conhecimentos que tenha a realidade do semiárido como ponto de partida para a compreensão e o desvelamento do mundo.
Na quinta-feira, a programação do evento foi organizada a partir da socialização de experiências exitosas na área da educação contextualizada no semiárido, numa interface com as temáticas: educação, gênero e sexualidade; Escola Família Agrícola; Educação e agroecologia; Educação e povos tradicionais; Políticas públicas e educação; relação entre o direito à terra e a educação.
Após a apresentação das experiências, os grupos de trabalho dedicaram-se à construção de estratégias políticas e pedagógicas que possibilitem a ampliação da educação contextualizada no Semiárido dentro da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA BRASIL).
Segundo Rafael Neves, coordenador do programa Cisterna nas Escolas, com este programa a ASA passa a se inserir numa dimensão importantíssima para a transformação da realidade do Semiárido. “Defender uma educação contextualizada é defender uma processo educativo no qual os filhos e filhas das famílias agricultoras não passem mais pelo desmerecimento dos saberes locais e pela desvalorização do trabalho de seus pais e suas mães no roçado, na lida no campo”, assegura ele.
Na mesa de encerramento do evento, os representantes da Asa Brasil e da Rede de Educação no Semiárido Brasileiro assumiram o compromisso de aprofundar o diálogo entre as duas redes, bem como, de fomentar o debate e as articulações nos estados com o propósito de consolidar as experiências de educação para a convivência com o semiárido e luta em defesa de um projeto de educação que contribua na transformação da região.
Fonte: Asacom