quarta-feira, 9 de agosto de 2017

UFPI lança edital com 240 vagas para Licenciatura em Educação do Campo

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) divulga o Edital N°0015/2017 com as orientações do Processo Seletivo para o curso de Licenciatura em Educação do Campo 2017.2 para a preenchimento de 240 (duzentas e quarenta) vagas, nos cursos de Licenciaturas em Educação do Campo ofertados pela UFPI.
Os cursos de Licenciaturas em Educação do Campo são destinados aos professores que atuam nas escolas públicas do campo e ainda não tenham licenciaturas, bem como, para os jovens egressos de Escolas Família Agrícolas, remanescentes de área quilombola, assentados e acampados da reforma agrária, moradores de área rural e participantes de instituições e movimentos sociais que atuam no território do campo, desde que tenham concluído o ensino médio ou curso equivalente à época da matrícula na UFPI.
Serão oferecidas 240 (duzentas e quarenta) vagas a serem preenchidas pelos candidatos com melhor desempenho no Processo Seletivo para o curso de Licenciatura em Educação do Campo 2017.2, assim distribuídas:
a) 60 vagas - Licenciatura em Educação do Campo/Ciências da Natureza – Campus Ministro Petrônio Portella (Teresina);
b) 60 vagas - Licenciatura em Educação do Campo/Ciências da Natureza – Campus Senador Helvídio Nunes de Barros (Picos);
c) 60 vagas - Licenciatura em Educação do Campo/Ciências da Natureza – Campus Amilcar Ferreira Sobral (Floriano);
d) 60 vagas – Licenciatura em Educação do Campo/Ciências Sociais e Humanas – Campus Professora Cinobelina Elvas (Bom Jesus).
A solicitação de inscrição será efetuada exclusivamente via internet, no endereço eletrônico www.ufpi.br/copese, no período de 14/08/2017 a 18/09/2017.
O Edital de seleção para os Cursos de Licenciatura em Educação do Campo foi divulgado no dia 08/08/2017, após a ocupação da reitoria da UFPI pelos estudantes exigindo a reabertura do processo seletivo, suspendo há quase dois anos.
Clique aqui e confira o Edital.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Estudantes acabam de ocupar a reitoria da UFPI em defesa da educação do campo

Os estudantes do Curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal do Piauí – Campus de Teresina - acabaram de ocupar a reitoria da UFPI, na manhã desta terça-feira (08/08), em defesa da educação do campo e dos cursos de licenciatura para os jovens camponeses.
 De acordo com os estudantes, há quase dois anos a UFPI suspendeu o Edital de seleção para o ingresso de novos alunos nos cursos de licenciatura em educação do campo, impedido que novos jovens tenham o direito de ingressar no ensino superior.
Por volta das 9h, os estudantes tiveram uma audiência com o reitor da UFPI, Prof. Dr. José Arimatéia Dantas, para negociar a reabertura do edital de seleção para o ingresso de novos alunos nos cursos de Licenciatura em Educação do Campo, bem como, a garantia das condições de infraestrutura para o bom funcionamento dos cursos. Durante a negociação, o reitor se comprometeu em fazer a publicação de um novo edital de seleção o mais breve possível. 
A Universidade Federal do Piauí possui 4 Cursos de Licenciatura em Educação do Campo distribuídos nos seguintes campus: Picos, Floriano e Teresina (Licenciatura em Educação do Campo/Ciências da Natureza) e Bom Jesus (Licenciatura em Educação do Campo/Ciências Sociais e Humanas).. 
Os cursos de Licenciatura em Educação do Campo são conquistas históricas dos movimentos sociais do campo que travam, desde o início da década de 1990, uma luta na defesa da educação do campo, voltada para os interesses e as necessidades dos povos do campo. Uma educação que seja pensando com e para os povos.
De acordo com o Movimento Nacional Por uma Educação do Campo, estes cursos de licenciaturas têm como objetivo central formar os camponeses para assumir esta luta na construção de um projeto específico de educação associado ao projeto de desenvolvimento do campo pautado na sustentabilidade e no protagonismo dos camponeses.

domingo, 6 de agosto de 2017

Comunidade quilombola Lagoa das Emas se mobiliza contra fechamento de escola

A Secretaria Municipal de Educação de São Raimundo Nonato, no semiárido piauiense, determinou o fechamento de cinco escolas rurais da rede municipal de ensino. De acordo com os técnicos da secretaria, está medida faz parte da política de nucleação das escolas rurais, determinada pela prefeita Carmelita Castro, que prevê o remanejamento dos estudantes de escolas pequenas para outras comunidades ou para a sede do município.

Revoltados contra essa medida da prefeitura, os moradores da comunidade quilombola Lagoa das Emas se mobilizaram no último dia sexta-feira (05/08) para impedir que o caminhão da prefeitura levasse os moveis e utensílios da escola por determinação da secretaria da educação de São Raimundo Nonato.

Para os moradores da comunidade, o fechamento da escola representa um retrocesso nos direitos dos quilombolas à educação em suas próprias comunidade e prometem resistir e lutar para que a prefeitura volte atrás na decisão de fechar a escola na comunidade.
A comunidade quilombola Lagoa das Emas é formada por 27 família e ocupa uma região semiárida próxima a Serra da Capivara no Piauí. Integra o Quilombo das Lagoas – a segunda maior comunidade oriunda de quilombo no Brasil – com uma população de 1498 famílias dividida em diversos núcleos distribuídos em sete municípios que ocupam uma área estimada em 62 mil hectares.
O município de São Raimundo Nonato tornou-se conhecido internacionalmente abrigar em seu território o Parque Nacional Serra da Capivara, um parque protegido pela UNESCO e considerado pelo mundo da arqueologia como um dos mais importantes das Américas. Além disso, o município conta com Campus de duas importantes universidades públicas: Universidade Estadual do Piauí e a Universidade Federal do Vale do São Francisco.

sábado, 6 de maio de 2017

UFPI promove Curso de Formação em Pedagogia da Alternância

O Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação do Campo (NUPECAMPO/UFPI) realizou nos dias 04 e 05 de maio de 2017 o I Módulo do Curso de Formação em Pedagogia da Alternância, no auditório do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal do Piauí, em parceria com a Associação Regional das Escolas Família Agrícola do Piauí (AEFAPI).
O Curso de Formação conta com a participação de 60 educadores/as vinculados as 17 Escolas Famílias Agrícolas do Piauí e 10 estudantes e professores da UFPI. 
O evento tem como objetivo contribuir no fortalecimento das Escolas Famílias Agrícolas no Piauí por meio de atividades formativas que favoreçam aos diferentes sujeitos do campo a apropriação crítica dos princípios políticos e pedagógicos da pedagogia da alternância através de um trabalho de pesquisa-ação interdisciplinar, contextualizado e dialógico.
Nesta primeira etapa do Curso, os cursistas tiveram a oportunidade de aprofundar a discussão sobre os princípios da educação popular, buscando compreender suas contribuições para o fortalecimento dos projetos educativos desenvolvidos nas EFAs. Além disso, tiveram a oportunidade de aprofundar a discussão sobre os aspectos históricos e conceituais da Pedagogia da Alternância.
A proposta de formação está organizada em 5 módulos, intercalados com atividades de pesquisa, estudo e rodas de conversas que serão desenvolvidas pelos cursistas em suas instituições de ensino como parte do processo formativo. Os módulos serão desenvolvidos a partir das seguintes temáticas:
Módulo I: Educação Popular e Pedagogia da Alternância;
Módulo II: Aspectos Teórico-Metodológicos da Pedagogia da Alternância;
Módulo III: Educação do campo – elementos históricos, políticos e conceituais;
Módulo IV:  A organização do currículo na perspectiva da Pedagogia da Alternância;
Módulo V: Sistematização de experiências em Pedagogia da Alternância.
De acordo com o prof. da UFPI e membro da coordenação do Curso, Elmo Lima, as atividades formativas serão desenvolvidas com base na metodologia da pesquisa-ação que consiste num processo de formação-investigação que favoreça aos cursistas uma imersão crítica no contexto sócio-histórico, político e cultural, bem como, uma reflexão crítica sobre sua atuação enquanto educador nas escolas do campo.
Para Elmo Lima, o foco do curso é instigar os educadores a refletirem sobre o trabalho desenvolvido nas Escolas Famílias Agrícolas, buscando alternativas de aperfeiçoamento dos projetos políticos e pedagógicos implementados nestas instituições, tendo como os pressupostos teórico-metodológico da Pedagogia da Alternância.
Segundo o presidente da AEFAPI, Antônio Carvalho, este projeto de formação vai contribuir no fortalecimento das experiências educativas desenvolvidas pelas 17 Escolas Famílias Agrícolas que atuam no Piauí, proporcionando uma formação crítica dos jovens do campo, comprometida com o fortalecimento da organização social e da agricultura familiar.
O projeto de formação conta com a parceria da Fundação Dom Edilberto Dinkelborg (FUNDED), Fundação Padre Antônio Dante Civiero(FUNACI), Fundação Santa Ângela, Associação Escola Família Agrícola dos Cocais e Associação Escola Família Agrícola Serra da Capivara.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Reforma do Ensino Médio inviabiliza política de Educação do Campo

A Reforma do Ensino Médio sancionada pela Presidência da República na última quinta-feira (16/02) e publicada no Diário Oficial da União, como Lei 13.415 de 16 de fevereiro de 2017, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, traz alternações significativas na organização política e pedagógica para as escolas pública brasileira.
Dentre as mudanças mais preocupantes estão a redução das disciplinas obrigatórios, principalmente aquelas associadas à formação crítica dos educandos, a exemplo de filosofia, sociologia, história, geografia, entre outras. Somente as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática serão obrigatórias nos 3 anos do Ensino Médio.
De acordo com a Profa. Dra. Monica Ribeiro da Silva, da Universidade Federal do Paraná, o currículo fica dividido em duas partes: uma parte comum de 1.800 horas a todos/as estudantes e outra, dividida em cinco itinerários, em que o/a estudante terá que fazer aquilo que a escola/sistema ofertar (e não o que ele escolher, como diz a propaganda enganosa do governo).
Na visão de Mônica Silva, outro aspecto preocupante é que o itinerário “formação técnica e profissional” poderá ser ofertado por meio de parceria com o setor privado e o sistema de ensino se servirá de recurso público do FUNDEB.
A pesquisadora alerta que a nova proposta de Ensino Médio coloca a juventude brasileira da escola pública num profundo abismo, porque retira a possibilidade de uma vida digna para esses jovens, conseguida por meio de uma formação escolar densa e crítica, de uma preparação séria para o mundo do trabalho ou para o prosseguimento dos estudos, denuncia a doutora Mônica Silva.
Os educadores da Rede de Educação no Semiárido brasileiro (RESAB) denunciam que a proposta curricular do novo ensino médio exclui ainda mais a realidade dos jovens do campo da escola, pois reforça um modelo de organização curricular centrado num conjunto de conhecimentos escolares, com forte víeis tecnicistas, que pouco dialoga com a realidade e as necessidades formativas e culturais da população camponesa.
Para o Fórum Nacional por uma Educação do Campo, a Reforma do Ensino Médio representa um retrocesso para a classe trabalhadora, pois fere o direito fundamental de acesso a uma formação humana integral, que possibilite a compreensão específica do complexo mundo do trabalho e suas contradições.
“Nossa concepção de formação por área pressupõe um Núcleo Básico de estudos que envolve conhecimentos de Ciências Humanas e Sociais, ciências da natureza e as diversas linguagens humanas, incluindo as Artes nas suas diversas manifestações, como condição para a formação humana básica e integral”, afirma nota do Fonec ao denunciar impactos da Reforma.
É consenso entre os especialistas e profissionais da educação que esta Reforma do Ensino Médio pode trazer enormes prejuízos à formação da juventude brasileira, pois seu foco é aprofundar a formação para o mercado de trabalho, negligenciando a formação humana e cidadã. 
Além disso, essa Reforma pode aprofundar ainda mais as desigualdades sociais e educacionais, visto que haverá um empobrecimento no currículo e ensino oferecido nas escolas públicas, enquanto que os jovens das escolas particulares continuarão tendo acesso ao modelo de ensino voltado à sólida formação teórica que garanta o ingresso destes jovens no ensino superior. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Estudantes de Educação do Campo da UFPI promovem audiência pública com a Senadora Regina Sousa

Os estudantes do Curso de Licenciatura em Educação do campo promoveram, na última segunda-feira (06/02), uma audiência pública com a participação da senadora Regina Sousa (PT Piauí) com o objetivo de discutir a situação dos Cursos de Licenciatura em Educação do Campo na Universidade Federal do Piauí (UFPI).
A UFPI conta com 04 Cursos de Licenciatura em Educação do Campo distribuídos nos Campi de Teresina, Floriano, Picos e Bom Jesus, envolvendo mais de 800 estudantes que reivindicam a manutenção de direitos sociais já adquiridos, como transportes, alimentação e hospedagem.
De acordo com o Centro Acadêmico da Educação do Campo, os cursos são organizados em sistema de alternância. Os estudantes ficam 45 dias, no período de férias, em processo de formação na universidade, denominado de Tempo-Universidade, no qual são ministradas as aulas teórico-práticas. Em seguida, passam cerca de 90 dias nas atividades de campo e de pesquisa nas comunidades rurais, sob a supervisão dos professores da UFPI, no tempo-comunidade.
Para os representantes do Centro Acadêmico, além dos problemas relacionados com a alimentação e hospedagem dos estudantes, tem também as dificuldades com relação as  sala de aulas adequadas para as atividades do curso, já que eles são oriundos de várias comunidades rurais e passam 45 dias na universidade numa jornada de 8 horas/aulas diárias.
Segundo Sávio Santos, vice-presidente do Centro Acadêmico, o objetivo da luta dos estudantes é dar continuidade ao curso pois a atual política econômica reduziu o orçamento para os programas de educação do campo, o que vai dificultar o acesso da população campesina ao acesso à educação básica e superior.
Para a senadora Regina Sousa, a situação que o país passa é delicada, pois o atual governo está realizando um verdadeiro desmonte dos projetos sociais construídos nos últimos 15 anos, principalmente aqueles voltados para as classes populares. Segundo a senadora, é preciso um esforço coletivo para garantir que as políticas conquistadas para os povos do campo não sejam de fato destruídas.
Diante desse cenário, a senadora Regina Sousa se comprometeu em levar esse debate sobre o fortalecimento das Licenciaturas em Educação do Campo para a comissão de Direitos Humanos e de Educação do Senado Federal para construir um diálogos com outros senadores com o propósito de sensibilizar o Ministério da Educação quanto a importância destes Cursos para o fortalecimento da educação do campo no Brasil.
A Licenciatura em Educação do Campo foi implantada no Piauí em 2014 e é fruto da luta dos movimentos sociais do campo para inclusão de jovens agricultores ao ensino superior em universidades públicas.
Durante a audiência pública, os representantes dos movimentos sociais, a exemplo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura e do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra também manifestaram sua preocupação com o fortalecimento das Licenciaturas em Educação do Campo como forma de garantir o acesso dos jovens camponeses ao ensino superior.