sábado, 31 de julho de 2010

A universidade começa a descobrir o Semiárido

Aos poucos as universidades começam a descobrir o Semiárido e voltam os seus estudos para as riquezas e fragilidades dessa região. Várias pesquisas estão sendo desenvolvidas sobre os aspectos ambientais, sociais, políticos, econômicos, culturais e educacionais do sertão a fim de compreendê-lo melhor, bem como, pensar novas estratégias de ação voltada para a convivência com o Semiárido.

No caso específico do Estado do Piauí, vários alunos da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), dos pólos localizados na região semiárida, vêm desenvolvendo seus trabalhos de pesquisa sobre a educação desenvolvida no Semiárido, buscando apontar suas fragilidades, como também destacando as experiências exitosas desenvolvidas na perspectiva de construir novas políticas de desenvolvimento sustentável e solidário para essa região.

Somente no mês de julho/2010, dois trabalhos de pesquisa foram apresentados pelas alunas do curso de pedagogia, uma do Pólo da UESPI de São Raimundo Nonato e outra de Campo Maior demonstrando o crescente interesse dos acadêmicos com relação às políticas educacionais desenvolvidas na região numa perspectiva contextualizada.

A pedagoga Cacilda Vilanova Paes Landim, de São Raimundo Nonato, realizou sua pesquisa com o tema “Educação contextualizada na perspectiva da geração do protagonismo e autonomia da juventude do Semiárido”, discutindo as experiências de educação para a convivência com o Semiárido implementada com o incentivo e apoio da Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato. Já a pedagoga Maria Sueleuda Pereira da Silva, que fez seu curso no Pólo da UESPI de Campo Maior, desenvolveu seus estudos, com o título “A Educação do Campo como estratégia de convivência com o Semiárido”, sobre o trabalho de educação do campo voltada para a convivência com o Semiárido implementado pela Escola Família Agrícola Serra da Capivara.

Os trabalhos de pesquisas desenvolvidos sobre a educação no Semiárido Piauiense demonstram os avanços conquistados com o trabalho desenvolvidos, principalmente pelas organizações socais ligadas a Rede de Educação no Semiárido Brasileiro (RESAB) e ao Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido. Entretanto apontam os grandes desafios que ainda precisam ser superados quanto ao desenvolvimento de políticas públicas voltada para a construção de projeto políticos e pedagógicos comprometidos com a educação contextualizada no Semiárido.

Dentre esses desafios, destacam-se a ausência de políticas de formação docente no âmbito das universidades e das secretarias municipais de educação, que preparem os professores para desenvolverem esse trabalho; a ausência de material didático contextualizado; a falta de apoio dos gestores públicos para a experiências de educação contextualizada executados pelas escolas; os baixos salários pagos aos docentes do Semiárido que os obrigam a assumirem vários empregos, dificultando sua maior dedicação na construção de um novo projeto de educação para a região, dentre outros.

No entanto, observamos que tanto os estudos desenvolvidos nas universidades quanto os eventos formativos desenvolvidos pela Rede de Educação no Semiárido vem criando novas perspectivas na construção de novos projetos educativos voltados para a realidade sociocultural do Semiárido. Muitos sonhos e utopias estão sendo gerados nesses encontros e novas sementes estão sendo plantadas.

UFPI aprova projeto de formação de educadores do campo


O Centro de Ciências da Educação da UFPI (Universidade Ferderal do Piauí) aprovou junto ao Ministério da Educação o “Projeto de formação continuada de Educadores do Campo”, que será desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Esperantina e as organizações sociais daquele município.
O projeto tem como objetivo “desenvolver uma política de formação continuada de professores que fomente a reflexão crítica sobre a proposta de educação desenvolvida nas escolas do campo, favorecendo a produção de novos saberes político-pedagógicos e a contextualização das práticas educativas e curriculares” e será coordenado pelos professores Elmo de Souza Lima e Baltazar Campos Cortez.
Durante o desenvolvimento dos trabalhos, serão desenvolvidas 06 oficinas pedagógicas envolvendo os temas: Educação do campo: aspectos históricos e conceituais; Educação do campo e diversidades culturais; Educação do Campo e desenvolvimento sustentável; A construção de novas políticas de educação do campo.
Os eventos de formação serão realizados no período de um ano e deverão capacitar cerca de 60 professores das escolas do campo do Município de Esperantina. Ao final dos trabalhos serão publicados um caderno pedagógico sobre a educação do campo e um vídeo sobre as experiências de educação do campo desenvolvidas no município.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Colóquio de Educação para a Convivência com o Semiárido


A Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (RESAB-Piauí) está organizando, em parceria com a Universidade Estadual do Piaui e as secretarias municipais de educação do Território Serra da Capivara, o I Colóquio de Educação para a Convivência com o Semiárido, que será realizado no município de São Raimundo Nonato, nos dias 24 e 25 de setembro de 2010.
O evento tem como objetivos: possibilitar a troca de conhecimentos entre professores, alunos e lideranças comunitárias acerca da educação contextualizada no Semiárido e  socializar os conhecimentos científicos produzidos nas pesquisas realizadas no Curso de Especialização em Educação Contextualizada sobre as políticas de educação desenvolvidas no Semiárido Piauiense.
Durante o evento serão realizados: painel como o tema “A educação para a convivência com o Semiárido como alternativa de desenvolvimento sustentável; Socialização de experiências sobre Educação para a convivência com o Semiárido; Lançamento do Livro: “Semiárido Piauiense: Educação e contexto; Feira de Saberes e Sabores do Semiárido e apresentações Culturais dos municípios parceiros do evento. 
Além disso, serão socializadas as pesquisas realizadas no Curso de Especialização em Educação Contextualizada no Semiárido. Os trabalhos de pesquisa serão socializados em salas temáticas, contemplando os seguintes temas: Currículo e Práticas educativas contextualizadas no Semiárido; O ambiente Semiárido e as alternativas de convivência; e As práticas de produção e as tecnologias de convivência com o Semiárido.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Uespi divulga resultado do Curso de Especialização em Educação no Semiárido

A Universidade Estadual do Piauí divulgou na última segunda-feira (09/05) o resultado da seleção do Curso de Especialização em Educação Contextualizada no Semiárido, que irá acontecer no Campus da UESPI em Picos. 
O referido curso será realizado em parceria a Rede de Educação no Semiárido Brasileiro (RESAB), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e Secretaria Estadual de Educação (SEDUC) e tem o objetivo contribuir na formação teorico-metodológica de professores e educadores populares, tendo como base os princípios da educação para a convivência com o Semiárido.
Foram selecionados 50 (cinquenta) professores e educadores populares vinculados a rede pública de ensino e as organizações sociais que participam da Rede de Educação no Semiárido Brasileiro (RESAB).
A aula inaugural do Curso de Especialização em Educação Contextualizada no Semiárido ocorrerá no dia 27 de maio e contará com seguinte programação: Painel sobre Educação para a convivência com o Semiárido, apresentação de experiências sobre convivência com o Semiárido e oficina para definição das estratégias operacionais do curso. Confira o resultado abaixo:

Organização da ASA lança materiais didáticos contextualizados com o Semiárido

Materiais irão contribuir para práticas pedagógicas contextualizadas
Daiane Almeida - Comunicadora Popular da ASA
Feira de Santana/BA
11/05/2011
Mesa de debate sobre a educação contextualizada
A abordagem sobre o Semiárido, sua gente, cultura e identidade já não é a mesma há mais de uma década. Uma série de ações, projetos, metodologia e os seus sujeitos vêm contribuindo ao longo desses anos para mudar a percepção do sertão como um lugar inviável e miserável para seu povo viver. Como uma das alternativas de mostrar os resultados dessa caminhada de forma sistematizada, foi lançado no último dia 9, na Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia,  materiais didáticos sobre educação contextualizada.
Um caderno pedagógico e uma série com oito desenhos animados irão contribuir para que alunos e professores - sujeitos que inspiraram a produção dos materiais - tenham uma aula diferente. O objetivo das produções é reunir as práticas já existentes e trazer uma reflexão teórica e metodológica que sirva de subsídio para ações pedagógicas na perspectiva da educação contextualizada e da convivência com o semiárido.
Durante o evento, educadores, alunos, representantes da sociedade civil e gestores públicos assistiram a um episódio da série Água, Vida e Alegria no Semiárido, produzida pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) em parceria com o Movimento de Organização Comunitária (MOC) e apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
Professor Reginaldo e a turma da escola de Ponto Novo
Na ocasião, alunos da comunidade Ponto Novo, situada no município de Riachão do Jacuípe e o professor Reginaldo Miranda de Souza, cantaram um repente em homenagem ao lançamento. A turma e o professor foram a grande inspiração para os personagens da série televisiva, construídos a partir dos desenhos das crianças. O resultado desse trabalho também originou as ilustração do caderno pedagógico.
Para Reginaldo Miranda, a experiência significou aprendizado e uma mudança positiva na autoestima dos alunos. “Foi uma experiência maravilhosa, emocionante. Influenciou no aprendizado dos alunos e no meu também. Trouxe conhecimento e valorização da ideia de que é possível viver bem no Semiárido, evitar o êxodo. Esses desenhos foram uma guinada na autoestima dos alunos e no trabalho com o meio ambiente”, enfatizou Reginaldo Miranda.
Para Sheila dos Santos, uma das alunas do professor Reginaldo, participar desse trabalho “foi muito bom, nós aprendemos mais sobre a escola, o meio ambiente e o semiárido”.
Um trabalho de muitas mãos - A partir da ação de projetos como Conhecer, Analisar e Transformar (CAT), Baú de Leitura e outros, uma perspectiva diferente de educação foi sendo construída ao longo dos anos. Com a intervenção de educadores, coordenadores, da equipe de Educação do Campo do MOC e gestores públicos,  a concepção e a prática da educação contextualiza foi ganhando novos elementos e se ampliando.
O resultado disso pode ser conferido no Caderno I - Construindo Saberes para Educação Contextualizada, que surge com o objetivo de divulgar essa experiência e contribuir para o trabalho de muitos educadores e educadoras, como afirma Vera Carneiro, coordenadora da equipe de Educação do MOC, na abertura da mesa em que o material foi apresentado. “Não se encontravam materiais contextualizados sobre a nossa realidade. A partir da necessidade de trabalhar nessa perspectiva, levando em consideração nossa cultura e identidade, professores reivindicaram que algo fosse produzido nesse sentido. Portanto, esse trabalho foi uma construção coletiva das formas de trabalhar o conhecimento valorizando os saberes, questões envolvendo o Semiárido”, ressaltou Vera Carneiro.
Também na mesa de abertura, juntamente com representantes da Resab, ASA, Secretaria de Educação do Estado e MOC, Eliene Novaes, representante da Contag, falou da importância desse material. “Essas iniciativas são importantes por que dão visibilidade e tiram do anonimato os sujeitos do campo. Sabemos que quando produzimos materiais disseminamos ideias, contribuímos para desconstruir essa idéia negativa sobre o Semiárido. Esse material dá voz a professores e alunos através da sua metodologia”, afirmou Eliene.
Agnaldo Rocha, da coordenação da ASA no Estado, explicou que “a missão da ASA é possibilitar a construção do saber nas comunidades do Semiárido, é a concretização do saber de forma coletiva. A criança tem que começar o aprendizado da terra onde está, do seu chão, para depois partir para o mundo, alçar grandes voos. Não considero apenas uma vitória do MOC, mas de todas as entidades que vão ter um instrumento como esse, para nós é motivo de grande alegria” ressaltou Agnaldo Rocha, coordenador da ASA Bahia.